Olá Molieres, sou Maryana Sampaio, sejam bem-vindas ao meu primeiro e mais desafiador texto para o blog.

Confesso que tenho certa timidez em puxar assunto e, talvez por isso, minha missão aqui hoje é iniciar um bate papo. Uma conversa entre puérperas – palavrinha cheia de conteúdos – com a pretensão de falar e de promover um lugar de fala para nós que estamos sendo regidas por uma tempestade de hormônios, emoções e sentimentos.

Minha trajetória é um pouco diferente das demais pessoas. Alguns especialistas garantem que as pessoas primeiramente constroem uma identidade, em seguida uma carreira e depois constituem uma família. Eu primeiro constitui família sendo mãe, depois construí uma carreira (afinal precisava sustentar a filha) pra só depois construir a minha identidade. Mas a vida reconheceu tanto meu esforço que me deu um bônus, fui mãe novamente.

Acredito que a palavra benção combine mais com a minha segunda gestação. Uma criança esperada, amada e idealizada desde o primeiro teste positivo. Sim, eu fiz dois, mas quem nunca? Observem que a palavra idealizada assume logo de início uma função nessa fase. Eu tinha um ideal de gestante que queria ser, de gestação tranquila que estava disposta a proporcionar pro meu pequeno.

A grande questão é que a gente não vive o ideal! Aqui no Planeta Terra, nas coisas concretas, nas mulheres de carne e osso, vivemos uma coisa trabalhosa chamada realidade… Não se preocupem, Guilherme nasceu lindo, perfeito, num parto humanizado normal, com o mínimo de intervenção. Assim nasceu também minha fase boemia. Madrugadas e madrugadas entre mamadas, dores, lágrimas, sorrisos e certa solidão.

Nunca esqueço aquela madrugada, enquanto esperava o Guilherme arrotar e mexia no celular para não cochilar, recebi um olá tímido. Quando olhei vi que era outra mamãe fresca, respondi e dispensadas as formalidades começamos a falar sobre os assuntos preferidos das mães: filhos. Depois de um bate papo fui dormir pensando o quanto de cumplicidade e intimidade recebi naquela troca de mensagens da madrugada. Como era valioso falar com alguém que entendia, e vivia a tempestade. Dormi com um sorriso, achava graça encontrar alguém que tinha problemas como eu e passava horas se questionando como ser aquela mãe idealizada, infalível e que não tem dificuldades.

Essa mãe, minhas queridas, não existe! Ela é fruto do nosso anseio em ser melhor, a melhor mãe do universo, diga-se de passagem, e lidar com isso é doloroso. Reconhecer nossos limites enquanto precisamos viver e ser o mundo de alguém que não sustenta a própria cabeça talvez seja a parte mais difícil de todo o processo. Eu estava perdidinha…

Ah, se não fossem as mensagens de madrugada! As conversas, as dicas de como tirar manchas das roupas ou preparar refeições em minutos. Nada como encontrar alguém que sabe a habilidade necessária para comer com um bebê no colo! Essas trocas de longe me ajudaram a entender a minha máxima perante as surpresas do caminho: Não somos mães perfeitas, somos mães possíveis!

Se no alto da minha pretensão, eu puder deixar um aprendizado de tudo isso certamente eu diria não existe coisa melhor que dar “nome” aos nossos medos e angústias. Quando a gente fala sobre, mensura o tamanho do problema e de vez em quando descobre que consegue encarar. Não era tão grande assim!

Falar é expor, botar pra fora, expropriar algo que não tá te fazendo bem guardar. É libertador! Acho até que ajuda a perder peso…

 

Foto: Acervo Pessoal de Maryana Sampaio

Beijos

Maryana Sampaio