Antes do Théo chegar, eu costumava ser aquela pessoa louca por organização, cada coisa em seu lugar, não deixava nada por fazer e ainda mantinha uma rotina intensa de estudos e trabalho, sempre buscando e “inventando” coisas novas para fazer. Acredito que seja essa a realidade de muitas mulheres.

Quando me vi grávida, acreditava que depois que o bebê chegasse eu conseguiria manter uma rotina igual ou pelo menos bem parecida, que o bebê me acompanharia pra onde eu precisasse ir, e mentalmente eu já me cobrava em ter que dar conta de tudo.

Então o Theo chegou, e adivinhem só…eu não dei conta de tudo!

No inicio eu me cobrei, me desgastei, estressei a mim e meu marido. Eu queria “dar conta”. Achava que se eu não mantivesse tudo organizado como antes, estaria sendo fraca, não seria “mulher  o suficiente” pois não conseguia cuidar de tudo como eu ouvia que minha avó, mãe e tantas outras mulheres diziam que haviam feito.

Demorei um pouco pra entender que na verdade quem tenta dar conta de tudo, na verdade não se dá conta de nada!

Como assim? Eu poderia dar conta da organização impecável da casa e do trabalho, mas a custo da minha saúde e dos preciosos momentos com meu bebê.

E foi em uma conversa com uma amiga que meus olhos começaram a enxergar por outra perspectiva, por causa de uma frase muito simples que foi: a gente precisa estabelecer prioridades. Daí surgiu um gatilho, eu não me lembrava da presença da minha mãe na minha infância, pois ela estava sempre tentando dar conta de tudo, trabalho, organizar a casa.

Fiquei dias pensando nisso, e entendi que deveria escolher o que seria minha prioridade, e pergunta que me pegou foi: que é mais importante agora, ter a casa impecavelmente organizada, ou dividir momentos e vivências únicas com meu bebê?

Parece óbvio, mas muitas mães se encontram nesse questionamento tão angustiante, sendo cobradas por pessoas próximas, e muitas vezes em uma auto cobrança por  manter tudo como antes dos filhos, casa, trabalho, estudos.

Não estou aqui dizendo que por causa dos filhos temos que abandonar tudo, eu mesma não abandonei, mas desacelerei, diminui meu ritmo de trabalho e estudos, e a casa, organizo quando dá, no ritmo que consigo sem me cobrar além dos meus limites.

Entendi que minha prioridade maior é meu filho, e a relação que quero construir com ele. Não é ele que vai se encaixar na minha rotina de antes, mas é minha rotina que precisou mudar, e está tudo bem!

Hoje se você chegar na minha casa por volta das 15 horas da tarde, a louça do almoço ainda poderá estar na pia esperando ser lavada, talvez a cama ainda esteja desarrumada, e haja um computador ligado no escritório me esperando para dar continuidade em algum trabalho ou alguma leitura,  mas eu estarei sentada no chão, em meio a brinquedos, livros, Mundo Bita, brincando com o Théo.

Se você que leu até aqui também está nessa angústia, só quero te dizer: permita-se deixar todo o resto pra depois, e viva esses momentos com seu filho, conecte-se! Casa para organizar e prazos para cumprir, sempre teremos, mas a infância dos nossos filhos só acontece uma vez.

E só mais uma coisa importante: esteja nas fotos com seus filhos, do seu jeito mesmo, sem produção, com a roupa do dia-a-dia, cabelos despenteados, não importa, pois quando eles crescerem, o que mais fará sentido para eles é com quem estão nas fotos.


Olá, eu sou a Poliana K F Verissimo, sou professora Bellykids e Bellymamãe e Doula. Estes textos são relatos pessoais de vivências que eu nunca havia imaginado que aconteceria desta forma, por isso sempre iniciam com a frase: “Eu nunca imaginei que…”. Trago através deles meu olhar diante de fatos que aconteceram comigo e me pegaram se surpresa ou não foram como as expectativas. Assim como muitas coisas em nossas vidas, a gestação e maternidade são um universo muito propício para acontecimentos que jamais imaginamos, mas ainda assim são cheio de aprendizado e muito amor.