Oi, gente! Aqui é Aline Souza, doula e psicóloga. Tudo bom com vocês?


 Hoje vim contar a história de Viviane Fernandes, mãe de três filhos e de um projeto de pesquisa que vai além das fronteiras da academia. Tive a felicidade de conhecê-la e colaborar um pouco com sua pesquisa de doutorado sobre qualidade de vida de renais crônicos.

Vivi nos contou que a maternidade é algo muito central na vida dela.

Foto: acervo Pessoal de Vivi

“Desde pequena eu me vejo mãe. Não sabia quando isso ia acontecer. Imaginava depois de formada, mas eu sempre me via mãe. Mãe de mais de uma criança, no mínimo duas crianças. E porque isso é tão central na minha vida. Porque a minha avó materna teve 20 filhos e minha avó paterna 22 filhos. Minha mãe era a mais nova e meu pai um dos mais velhos, então eu pude conviver com idades diferentes e uma quantidade de primos muito grande. Família muito grande.

A maternidade chegou em minha vida quando eu tinha só 16 anos. Eu tinha uma orientação tanto de cunho filosófico-religiosa quanto o apoio do pai da criança, meu esposo, que me fez sentir muito forte. Eu estava pronto para enfrentar o mundo com meu bebê no ventre. Eu me sentia com o rei na barriga. Muito forte, muito plena. E eu tenho certeza que o apoio do meu parceiro foi fundamental para eu me sentir bem, dado o contexto e minha pouca idade. Então eu assumi todas as responsabilidades. Foi muito bom depois de alguns anos a minha mãe afirmar que eu fui uma excelente mãe aos 17 anos. Que talvez nem ela aos vinte e poucos tivesse sido tão boa com as atividades maternas.

Eu acabei enfrentando tudo com muito naturalidade. Fui associando as atividades de estudo, com a mais velha na escola. E sempre contado com ajuda da minha sogra que mora aqui, meus pais moram no interior, e de outras pessoas que de momentos específicos iam à minha casa, me ajudavam com as tarefas domesticas. Outras mulheres. Essa tal dessa rede de auxílio que vai ser formando na nossa vida e nos permitindo realizar nossos desejos. Nós fizemos um acordo familiar de não sair para trabalhar totalmente. Administramos um escritório de representações, Home Office. Então sempre tive atividades profissionais associado ao ambiente familiar para favorecer que pudesse acompanhar melhor os meninos. Então depois da primeira (filha) passou sete anos e com 24 anos eu tive a segunda filha e depois de um ano e oito meses eu descobri a gravidez, uma supresa, de um menino. Então são Vivian, Anne Lívia e Iago. As três jóias que nós tomamos conta. Muito central na minha vida exatamente por isso. Devido à gravidez na adolescência e tentar associar a formação profissional com essas outras funções. Sempre priorizando a satisfação de aprender a estudar que eu tenho muito grande e está próximo realizando essas atividades.

Hoje eu me sinto pronta para me dedicar mais a minha vida profissional e por isso dentro da pós-graduação eu fui maturando um projeto que é de cunho científico e social, que visa alteração de contexto da doação de órgãos em Sergipe e valorização da vida através de ações, grupos de estudos e de movimento junto à Associação de Renais Crônicos, junto à Secretaria Estadual de Saúde visando a manutenção dos serviços e a qualidade deles, dos renais crônicos e mexer com a política pública. Enfim, alterar o nosso contexto. Então a luta é grande nesse sentido e eu tenho uma realização muito grande desse quarto filhote, que se chama Projeto Doar-se.”

 

    

Foto: Divulgação

 

Sobre sua pesquisa Vivi contou que seu interesse no assunto surgiu quando acompanhou uma mãe com o seu filho em situação de morte cefálica após ter sido atropelado. Diante daquele contexto de intensa dor para aquela mãe, Vivi conseguiu compreender o outro lado da situação que é o de poder ajudar a outra pessoa com a doação de órgão. A partir disso, ela começou a pesquisar sobre o porquê das famílias sergipanas não doarem órgãos.

“Os meus filhos fizeram muito parte disso porque a gente se considera uma equipe. Quando acabei o trabalho de campo nas clínicas eu fiquei pensando em o que é que eu poderia dar de retorno, analisando o posicionamento ético, que tipo de beneficio eu poderia gerar para aquelas pessoas. Então eu pensei em palestras, em retornos com a linguagem adaptada sobre os resultados da pesquisa e imaginei que trabalhar com um livrinho, uma leitura infanto-juvenil seria interessante. E como essa linguagem torna o conteúdo muito mais acessível para todos. Foi ai que eu comecei a contar com a ajuda de meus filhos. Eu fui escrevendo e me balizando com os meus filhos. Eles eram meus leitores críticos. Especialmente os mais novos, porque eles diziam se estavam entendendo ou não. O personagem, Quel, teria mais ou menos a idade que meu filho tinha na época, oito, nove anos. Não que ele fosse Quel, mas para eu me balizar com relação a linguagem, a perspectiva de mundo, como ele compreenderia a questão de transplante da doação de órgãos. E depois na fase da ilustração eles foram me ajudando demais. Foi muito gostoso esse construção e ela não tinha muita pretensão. Era para fazer a impressão e levar em mãos de cada um daqueles com os quais eu pesquisei e deixar nas clinicas para que eles pudessem ler. A ideia é levar um pouco de otimismo, um pouco de mensagem positiva diante do contexto. Isso foi feito. Depois alguns amigos tiveram acesso e uma psicóloga fez avaliação e disse para eu ampliar isso a outras cidades para que outras pessoas possam ter acesso. E aí eu comecei a fazer um trabalho de Educação em Saúde voltado para crianças. E aí foi maravilhoso!”

Vivi acredita que “doar o melhor de nós, colocar o melhor de nós a disposição do mundo faz a gente entender nosso sentido de está aqui”.

E aí, gostaram? Para saber mais sobre o projeto Doar-se é só entrar no site www.doarse.com

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Para mais informações sobre gestação, parto, pós-parto e os aspectos psicológicos envolvidos nesse processo acompanhem minha página no facebook Psicóloga e Doula Aline Souza e no instagram @psidoulaalinesouza.

Obrigada pela leitura e aguardem os próximos relatos.

Beijos.

Aline Souza.