Olá leitores do BellyMamãe, sou Lore Dias, Pediatra pela Sociedade Brasileira de Pediatria e Neonatologista pela Santa Casa de Misericórdia da Bahia, desde 2015.

Aproveito essa introdução já para agradecer de coração a Liana Matos o convite para conversar um pouco com vocês sobre algo tão lindo e mágico que pode agregar valores no vínculo mãe e bebê: a dança do ventre, através da abordagem sobre o método canguru, fazendo o link com o Método BellyMamãe e seus benefícios.

Lore Dias, Liana Matos e Sofia Matos.

Acervo Pessoal de Lore Dias.

Conto aqui, nesse primeiro parágrafo antes de darmos início, algo que considero importante, para que vocês saibam que ela não está apenas no meu mundo imaginário, mas sim no meu cotidiano: a dança do ventre. Ela bateu em minha porta em 2005, isso mesmo, tocou a campanhia da minha casa uma professora sorridente que tinha inaugurado uma escola de danças orientais na minha rua e veio até minha casa convidar para conhecer e fazer aulas de dança do ventre, o que para mim ainda era um mundo totalmente desconhecido e desafiante, depois de algum tempo, passou a ser encantador, fazendo parte da minha vida até hoje.

Ainda não sou mãe, mas a vivência como pediatra e neonatologista sempre me encheu o coração de bons sentimentos, me fazendo perceber ao observar mães e filhos em momentos delicados de provas dolorosas, o que realmente faz diferença em seus tratamentos: a qualidade da presença. O aconchego, o colo, o abraço auxiliam na dificuldade de estar em um lugar diferente do seu lar, sendo a mãe ou o responsável aquele ser mágico, amoroso e caloroso que irá oferecer o alento e ser tudo o que a criança precisa naquele momento.

Na literatura médica, o Método Canguru, também conhecido como Cuidado Mãe Canguru ou Contato pele a pele, faz toda diferença na saúde de um bebê. Esse método faz parte do que chamamos Atenção Humanizada ao Recém-nascido de baixo peso. Este cuidado se divide em três etapas. Primeira etapa: acolhimento da família e cuidados delicados ao recém-nascido na UTI neonatal; segunda etapa: recebendo o binômio no alojamento Canguru e terceira etapa: após a alta hospitalar, dando continuidade ao método em casa.

Mamãe: Maria Simone com seu bebê Sandro Felipe. Foto autorizada pela mamãe.

Na primeira etapa, passamos pela fase mais delicada, aonde a criança recebe os cuidados de terapia intensiva, e desde então, a mãe e toda família mais direta aos cuidados com o recém-nascido (RN) deverá ser acolhida emocionalmente. Após estabilização do RN, quando já mais estável, a genitora ou responsável é orientado a colocá-lo no colo através da posição canguru, pele a pele, aonde ele poderá ouvir os batimentos cardíacos, bem como estabilizar temperatura, dentre outros benefícios fortalecendo ambos nesse processo.

Na segunda etapa, quando a criança já de alta para o alojamento canguru, em fase de cuidados como o ganho de peso, a genitora passará a maior parte do tempo com o bebê na posição canguru, bem como participando ativamente de todos os cuidados com seu filho, permanecendo internada junto com ele durante toda essa segunda etapa.

A posição canguru diminui o estresse do bebê, evitando assim, o aumento do nível de cortisol, e em consequência disso, preserva o  cérebro do bebê de possíveis danos causados por este.

A terceira etapa é caracterizada pelo acompanhamento da criança e da família no ambulatório e em seu lar até atingir o peso de 2500 gramas sendo importante neste momento a continuidade da abordagem biopsicossocial iniciada desde a primeira etapa.

Como descreveu Serge Lebovici em 1983, “ o rosto materno é o lugar único e inteiro onde se podem integrar, em um mesmo espaço, estado afetivos diferente…”

A vida psicoafetiva da criança é considerada como tendo duas ancoragens: corporal e interativa entre o bebê e seus responsáveis. Se o bebê a termo (maior que 37 semanas) já necessita de todo esse carinho, reconforto e amor por parte de seus pais, o bebê prematuro necessita de mais cuidados ainda devido às suas condições de estresse e dor que possa vir a passar após o seu nascimento.

Na posição canguru, temos o conceito do holding, descrito por WInnicot, 2006, quando a mãe, o pai ou substituto seguram o bebê, como também o retém, o contém, o sustém etc. Trata-se de uma relação direta entre eles e seu bebê protegendo das agressões fisiológicas, levando em consideração as sensibilidades cutâneas (tato e temperatura), auditiva, visual, evitando quedas e incluindo a rotina completa do cuidado dia e noite.

A função psicológica do contato pele a pele é positiva para ambos, sendo a vida afetiva a chave do desenvolvimento, em qualquer etapa do método Canguru, ela é o diferencial para o sucesso do tratamento desta criança, que chegou antes do tempo, muitas vezes de forma inesperada. Assim como todas as crianças, ela tem a necessidade de uma vida afetiva e segura, de se sentir compreendido, de descobrir e de conhecer, mesmo ainda tão pequeno e indefeso.

  1. Mathelin, em seu livro Le sourirede la Joconde (1998), lembra que todo ser humano tem necessidade de comunicação e que a extrema imaturidade não impede que o bebê seja compreendido pelo outro.

Esses conceitos expressos acima me vieram a mente quando fui convidada a falar com vocês pois não há nada mais sagrado do que promover saúde, bem-estar de forma preventiva. E ao ter acesso ao BellyMamãe por Liana Matos, seja através de conversas, ou durante a leitura do seu livro Solo a Duas, bem como fotos e vídeos, tive a certeza que o mundo estava ganhando mais uma linda oportunidade de associar arte na vida cotidiana durante a relação mãe, pais e filhos.

 

O método permite grande benefícios ao binômio mãe e bebê do ponto de vista emocional, além de ser uma atividade física para a genitora, quando liberada pelo obstetra em seu pré-natal, promovendo saúde, cuidado e carinho consigo mesma e com o filho em seu ventre, assegurando inclusive a auto estima neste processo de mudanças físicas em seu corpo.

 

 

O contato do bebê com sua genitora durante o processo dessa arte linda que é a dança do ventre abriu um mundo novo para ser descoberto. Um mundo de novos sentidos, ao trazer seu filho novamente para o contato pele a pele, aonde mães experimentam dançar com eles, aprendendo uma nova arte ou dando continuidade a ela, de uma forma segura, embasada cientificamente e através de experimentos, promovendo a beleza de uma nova oportunidade de encontro na rotina do binômio, um encontro de amor e cuidado durante a dança, através da música árabe, de seus movimentos, dessa arte encantadora, aonde a magia acontece.

Obrigada pela leitura

Beijos.

Lore Dias.

 

Para contato com a bailarina e pediatra do blog de hoje facebook Lore Dias e no instagram @lorediasdance. 

Perfil da ONG “Associação Beneficente Anjos da Luz” a qual ela faz parte com sede em Aracaju/SE aonde acontecem atendimentos gratuitos de pediatria desde outubro 2016, estudo da doutrina espírita desde fevereiro de 2018, bem como aulas de dança do ventre infantil para crianças de baixa renda, sendo esta último prevista com aula inaugural para o mês de maio, 2018.  Nesta oportunidade ela te convida a conhecer esta causa social.