Olá, eu sou a Poliana K F Verissimo, sou professora Bellykids, BellyMamãe e Doula. Estes textos são relatos pessoais de vivências que eu nunca havia imaginado que aconteceria desta forma, por isso sempre iniciam com a frase: “Eu nunca imaginei que…”. Trago através deles meu olhar diante de fatos que aconteceram comigo e me pegaram se surpresa ou não foram como as expectativas. Assim como muitas coisas em nossas vidas, a gestação e maternidade são um universo muito propício para acontecimentos que jamais imaginamos, mas ainda assim são cheio de aprendizado e muito amor.


Sobre a gestação, eu não imaginava que…

A espera por esperar causaria tanta ansiedade. Logo eu que sempre  dizia para minhas amigas tentantes que elas precisavam se aclamar, pensar coisas boas  e não se preocupar tanto porque na hora certa a gestação aconteceria, etc., até que… Me vi tentante, e toda aquela ansiedade de conseguir ou não, e a decepção dos testes negativos a cada suspeita, a tristeza de ver outras pessoas gravidas e “só eu que não” se tornaram presença nos meus dias, e assim entendi o quanto a espera em esperar pode ser dolorida e angustiante.

E então, depois de 1 ano de espera  e tentativas, a gestação veio, trazendo logo de início sensações físicas bem intensas, e junto no mesmo pacote uma insegurança, medo do novo, sensação de “e agora, o que vai acontecer?”. Ao mesmo tempo em que vi crescer uma alegria sem medidas, um desejo de autocuidado como nunca tive antes. Fato engraçado: quando peguei o resultado positivo no hospital, abracei a enfermeira que me entregou e saí chorando, ela deve estar confusa até hoje…

Assista a dança da Poli dias antes do parto.

Não quero aqui romantizar a gestação, pois mesmo sendo este um período lindo na vida de quem deseja, ela traz consigo muitas dificuldades e incômodos. Eu pude sentir todas as transformações a cada trimestre, passei pelo sono sem fim, enjôos matinais, fome gigante, uma dor absurda no nervo ciático que me acompanhou até o final, queimação (tive dormir sentada por uns 3 meses). Mas também vi meu corpo se transformar e ganhar as mais lindas curvas que poderia existir.

Comecei a imaginar tudo o que eu poderia fazer, como seria viver essa gestação tão sonhada, e aí veio a pandemia da Covid-19, e por essa ninguém esperava. Nesse momento, eu com 20 e poucas semanas de gestação, me vi recolhida em casa, distante de todas as pessoas queridas com quem eu desejava conviver nesse período, distante de tudo o que eu queria fazer, dançar, passear pra exibir a barriga por aí… e agora…como seria? A gestação por si só já traz um monte de inseguranças,  com uma pandemia então, o que aconteceria? E eu, como (acredito que) toda bailarina de dança do ventre que deseja ser mãe, sonhava em dançar grávida, vi esse sonho também ir embora.

Foi necessária uma mudança total nos planos. A partir de então tudo passou a ser online, a escolha dos itens de enxoval, dos móveis do quarto do bebê, e também o trabalho e as aulas de dança.  E foi nesse cenário virtual que encontrei o Bellymamãe, e pude então experimentar a dança na gestação e descobrir que sim, poderia haver uma conexão, e eu poderia viver a dança do ventre no período que mais me fazia sentido dançar e exaltar o ventre.

Pude vivenciar a dança até 39 semanas e 4 dias, e posso dizer com toda segurança que dançar, tanto as aulas regulares como o Bellymamãe, foi uma brisa de leveza diante de toda aquela loucura que estávamos vivendo.

Nunca imaginei que encontraria amizades, carinho conexão em um ambiente que parece tão frio e distante.

E por fim, eu nunca imaginei que viveria a gestação em um momento histórico tão tenso, e que poderia haver leveza apesar de tudo.